Descoberta de Espécie no Cerrado

Um grupo de pesquisadores descobriu uma nova espécie de aranha do cerrado. A equipe, liderada pela pós-doutoranda Vanessa Stefani Sul Moreira, reúne estudiosos da Universidade Federal de Uberlândia (duas quadras da Toca do Calango), Universidade Estadual de Goiás (UEG) e do Instituto Butantan (SP). A nova espécie foi denominada Mesobolivar delclaroi em homenagem ao professor do Instituto de Biologia da UFU, Kleber Del Claro, orientador do trabalho. O artigo vai ser publicado no “Journal of Natural History”, do Museu de História Natural de Londres. Além de descrever a nova espécie, os autores apresentam seu desenvolvimento, características da história natural e do comportamento sexual.
Foto: Everton Tizo
A bióloga e ecóloga Vanessa Stefani, da UFU, explica que a espécie foi descoberta no Parque Municipal Bosque John Kennedy, em Araguari (MG). O primeiro contato foi feito em 2008, durante a pesquisa de doutorado. “Uma das questões do meu estudo abordava o levantamento de aracnídeos que estavam associados com outra aranha, conhecida popularmente como aranha de funil (Aglaoctenus lagotis), e, entre as aranhas encontradas, estava presente uma espécie nova pertencente ao gênero Mesabolivar”, afirma Vanessa. A descoberta foi confirmada pelos taxonomistas Antônio Brescovit e Ewerton Machado, do Instituto Butantan – também autores do artigo.
A partir desse momento, Vanessa Stefani decidiu descrever o desenvolvimento e o comportamento reprodutivo da espécie desconhecida pela ciência. “Acredito que este seja um dos poucos casos de estudos no mundo que envolvem simultaneamente a descrição biológica e a taxonômica, pois normalmente publica-se um ou outro”, comemora a pesquisadora.
“Denominar a espécie nova com o sobrenome Del Claro foi uma grande oportunidade que tivemos de homenagear este brilhante professor e pesquisador, que contribui de forma tão significativa não somente para os estudos de comportamento animal, mas também para as pesquisas de interações planta-inseto”, justifica a pesquisadora. E como é ter o nome perpetuado pela ciência? Kleber Del Claro não esconde a emoção ao falar sobre a homenagem. “Fiquei tão surpreso com a decisão do grupo que até pensei em retirar meu nome do trabalho, mas estou muito feliz pelo reconhecimento dos colegas”, afirma.    
Espécie
Um longo caminho foi percorrido pelos pesquisadores desde a descoberta da espécie, em 2008. Indivíduos foram coletados e conduzidos para ambiente de laboratório. O trabalho de acompanhamento do desenvolvimento da espécie envolveu desde a eclosão do ovo à fase adulta até as etapas de comportamento sexual, postura de ovos e cuidado maternal. Enquanto isso, no Instituto Butantan, os taxonomistas e também coautores do artigo providenciaram a descrição da nova aranha. “Descobrimos, por exemplo, que após a eclosão do ovo, a aranha passa por cinco instars (ou troca do exoesqueleto) até atingir a fase adulta e a maturidade sexual; toda essa etapa de desenvolvimento tem durabilidade de aproximadamente 130 dias”, relata Vanessa.
O comportamento sexual é dividido em quatro etapas: corte, pré-copula, cópula e pós-cópula. A fêmea pode colocar até dois sacos de ovos (o primeiro contendo aproximadamente 42 ovos e o segundo, 31). “O mais interessante é que machos e fêmeas têm basicamente o mesmo tamanho, já que em aranhas é mais comum fêmeas serem maiores que machos”, destaca a bióloga. “Essa aranha não é considerada rara, como se pensava no início dos estudos”, enfatiza a pesquisadora. Exemplares da espécie foram encontrados em uma mata em Morrinhos (GO) pelo pesquisador Everton Tizo. Para Vanessa Stefani, a publicação pode oferecer parâmetros para novos trabalhos. “As descrições de espécies acompanhadas de outras informações enriquecem o conhecimento dos organismos recentemente descobertos”, ressalta a cientista.
Fonte: UFU
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